quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Insana Lucidez
sábado, 5 de dezembro de 2009
Vá!
Faça agora, não depois
Amanhã o porvir
Pode não vir
Seja mesquinho, egoísta
Mas seja inteiro
Não viva pela metade
Pois a morte é completa
Cometa os mesmos erros
Peque e pague
Não corrija os tolos
Pois loucos são loucos
Beba e cuspa paixão
Escarneie com amor
Às favas as mágoas
Aos porcos as virtudes
Rasgue suas chances
Coma os pedaços
Fuja, negue, consinta
Renda-se à sua fraqueza
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Explodindo
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Não sei o que é paz
Eu sou o filho do fogo
Nasço e queimo até morrer
E acendo-me de novo
Morrendo todo dia
Renascendo no escuro
Indo e voltando no tempo
O meu passado é futuro
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Agora eu posso voar
Depois sou cinza no chão
Em mil pedaços em vou
Juntar os cacos então
Nascendo dos escombros
Não sou o mesmo, eu sei
Sou todo e parte do todo
Metade do que serei
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
sábado, 28 de novembro de 2009
Último Suspiro
Todos estarão dormindo no sofá
Suas almas já estarão vendidas
Então não será o punhal que vai ferir
E quando as pessoas pedirem sua ajuda
Não estenda a mão que sangra
Não disfarce outra vez sua hipocrisia
Porque não haverá ninguém pra ver
E quando as estrelas estiverem caindo
Não haverá medo nem vontade de chorar
Ninguém vai tentar escapar
Apenas restarão ruínas e pó
E quando a culpa cair nos seus ombros
Não diga nada pra se defender
Não se ajoelhe pra pedir perdão
Não tente não sentir dor
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Fim de Domingo
Não são apagados pelo sutil farfalhar das folhas ao vento.
Mas minhas certezas são pulverizadas
Por teu breve e suave alento.
domingo, 22 de novembro de 2009
Eu Não Sou
Eu já fui
Inda vou
Estou aqui no ocaso
Com a certeza do atraso
Agora sei
Passei e ainda passo
Vou, vôo, vejo e disfarço
Em cores e rubores evidentes
Momentos em que compondo desfaço
Estou pleno, certo e excesso
Do mais profundo e extenso nada
Estou só
Estou solidão
Completo, vazio e vão
Agora sei
Sei que não vivo
Sei que não morro
Sei que não tenho nenhuma essência
Flatando razão
Cuspindo demência
Suado e ofegante desfecho alegrias
Escarneço da existência
Agora sei
Sentimentos opulentos
Transbordantes
Paixão, coração, razão, afeição
Ilusões
Mergulho, afundo, afogo
Respiro
Nego, controlo, desvio
Há tanta dor
Desvario
Agora sim
Abro os braços ao infinito
Quero ver o final
Permito
Frugores, amores, temores
Despejo, descrevo
Listo substantivos
Adjetivos são fúteis
Conexões, sentidos
Inúteis
Não sou
Onde passo
Onde penso
Não me convenço
Agora não
Eu sei
Eu não sinto
Mas não minto
Mesmo que faça doer
Sigo
Não estou nas palavras que digo
Não sou os versos que escrevo
Não sou o meu canto
Mas estou cantar ao cantar
Deus mendigo
Agora sei
Eu não sei
Eu não sou
Simplesmente vou
sábado, 14 de novembro de 2009
Minha Fonte-Jazigo
O doce olhar do seu remanso
Nos seus braços estendidos descanso
Sua alma a minha revigora
Despejo sobre ela meu canto
Encho o peito e inflado suspiro
E se palavras de amor sugiro
Ela tranforma dor em acalanto
Transformado em senhor e escravo
Desmancho-me na brisa calma
E se ela acende minha alma
Minha pele em seus prantos lavo
Suave jardim frio e sombrio
Com todas as cores ao vento
Vibrante em seu desalento
Não se me dá calafrio
Não me deixa arredio partir
Não me quer longe, não me quer distante
E me atrai e aprisiona a cada instante
Mas eu também já não quero ir
Meu amor e meu ódio são seus
Minha vida assim tem sentido
Acabaram os caminhos e não estou perdido
Sua língua e seus lábios são meus
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Discurso cínico-dadaísta sobre a hermenêutica do neoconceito suprassumido!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Uma Noite Comum
Agora vêm as luzes da cidade
O céu fica esquecido agora
Eu vejo os carros passando
As nuvens passam sem se perceber
A chuva chega sem surpresa
Crianças brincam na calçada
Brilham agora os guarda-chuvas
Pára a chuva e tudo bem
Tudo vem como tinha de ser
Uma noite comum no meio da noite
Uma noite igual, uma noite qualquer
Restam poucas luzes acesas
Restam poucas almas na rua
Agora as estrelas são percebidas
Vem lentamente a madrugada
Eu vejo a estrela que cai
Eu vejo o orvalho surgir
A cidade ainda está sonhando
E eu estou andando aqui
A noite vai chegando ao fim
E tudo vem como tinha de ser
Uma noite comum no meio da noite
Uma noite igual, uma noite qualquer
Ando sem saber aonde vou chegar
Ando sem saber quando vou parar
A madrugada está indo embora
Tudo vem como tinha de ser
Uma alma comum no meio do mundo
Uma vida igual, uma vida qualquer
(idos de 1992)
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Após Calipso
Essa é pra quando os porcos se afogarem na lama
Essa é pra quando acabarem os fins de semana
Essa é pra quando as entranhas estiverem sendo expostas
Essa é pra quando as perguntas já tiverem respostas
Essa é pra quando iluminarem o lado escuro da lua
Essa é pra quando calarem as ambulâncias na rua
Essa é pra quando o cobertor não evitar o frio
Essa é pra quando os magazines estiverem vazios
Essa é pra quando a platéia não poder aplaudir
Essa é pra quando quem entrar não conseguir mais sair
Essa é pra quando as leis não puderem dar jeito
Essa é pra quando a cicuta não fizer mais efeito
Essa é pra quando a verdade despencar da janela
Essa é pra quando o cadeado não trancar mais a cela
Essa é pra quando as estradas estiverem interditadas
Essa é pra quando os contra cheques não servirem pra nada
Essa é pra quando acabar todo o combustível
Essa é pra quando respirar já não for mais possível
Essa é pra quando as máscaras caírem dos rostos
Essa é pra quando a sentinela abandonar o posto
Essa é pra quando Judas retornar do inferno
Essa é pra quando terminarem as juras de amor eterno
Essa é pra quando o tímpano estiver perfurado
Essa é pra quando Deus estiver acordado
Essa é a música que inspira o título deste blog. Daqui dá pra puxar uma boa discussão. Essa música faz parte do disco Duplo Sentido, do Camisa de Vênus, lançado em 1987.