sábado, 28 de novembro de 2009

Último Suspiro

E quando o poeta gritar suas verdades
Todos estarão dormindo no sofá
Suas almas já estarão vendidas
Então não será o punhal que vai ferir

E quando as pessoas pedirem sua ajuda
Não estenda a mão que sangra
Não disfarce outra vez sua hipocrisia
Porque não haverá ninguém pra ver

E quando as estrelas estiverem caindo
Não haverá medo nem vontade de chorar
Ninguém vai tentar escapar
Apenas restarão ruínas e pó

E quando a culpa cair nos seus ombros
Não diga nada pra se defender
Não se ajoelhe pra pedir perdão
Não tente não sentir dor

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fim de Domingo

Meus passos marcados, meus traços riscados
Não são apagados pelo sutil farfalhar das folhas ao vento.
Mas minhas certezas são pulverizadas
Por teu breve e suave alento.


(Esses versos saíram de improviso e não foram anotados por mim. Mas como foram resgatados de forma singular e inesperada resolvi derramá-los aqui, como forma de agradecer a quem os salvou.)

domingo, 22 de novembro de 2009

Eu Não Sou

Eu não sou
Eu já fui
Inda vou
Estou aqui no ocaso
Com a certeza do atraso

Agora sei
Passei e ainda passo
Vou, vôo, vejo e disfarço
Em cores e rubores evidentes
Momentos em que compondo desfaço
Estou pleno, certo e excesso
Do mais profundo e extenso nada

Estou só
Estou solidão
Completo, vazio e vão

Agora sei
Sei que não vivo
Sei que não morro
Sei que não tenho nenhuma essência
Flatando razão
Cuspindo demência
Suado e ofegante desfecho alegrias
Escarneço da existência

Agora sei
Sentimentos opulentos
Transbordantes
Paixão, coração, razão, afeição
Ilusões
Mergulho, afundo, afogo
Respiro
Nego, controlo, desvio
Há tanta dor
Desvario

Agora sim
Abro os braços ao infinito
Quero ver o final
Permito
Frugores, amores, temores
Despejo, descrevo
Listo substantivos
Adjetivos são fúteis
Conexões, sentidos
Inúteis

Não sou
Onde passo
Onde penso
Não me convenço

Agora não
Eu sei
Eu não sinto
Mas não minto
Mesmo que faça doer
Sigo

Não estou nas palavras que digo
Não sou os versos que escrevo
Não sou o meu canto
Mas estou cantar ao cantar
Deus mendigo

Agora sei
Eu não sei
Eu não sou
Simplesmente vou

sábado, 14 de novembro de 2009

Minha Fonte-Jazigo

A fonte me mostra agora
O doce olhar do seu remanso
Nos seus braços estendidos descanso
Sua alma a minha revigora

Despejo sobre ela meu canto
Encho o peito e inflado suspiro
E se palavras de amor sugiro
Ela tranforma dor em acalanto

Transformado em senhor e escravo
Desmancho-me na brisa calma
E se ela acende minha alma
Minha pele em seus prantos lavo

Suave jardim frio e sombrio
Com todas as cores ao vento
Vibrante em seu desalento
Não se me dá calafrio

Não me deixa arredio partir
Não me quer longe, não me quer distante
E me atrai e aprisiona a cada instante
Mas eu também já não quero ir

Meu amor e meu ódio são seus
Minha vida assim tem sentido
Acabaram os caminhos e não estou perdido
Sua língua e seus lábios são meus

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Discurso cínico-dadaísta sobre a hermenêutica do neoconceito suprassumido!

Nos liames do esquecimento encontram-se os ditames do padecimento. Obviamente o esquecimento é uma artifício deveras interessante e eficaz para certas agruras da nefanda humana\idade, como se nos observa incisivamente o martelador alemão. Mas, a despeito de tão sagaz elucubração dionisíaco-apolínea, a nominada percepção individual e universal discursada sobre as coisas, a vida, as pessoas etc atentam para o inverossímil superrelativismo do que pode ser uma harmoniosa contradição. A insistência na manutenção exacerbada de certas imagens impele a uma inobservância das práticas consideradas de boa socialização intrafamiliar. Devaneidades insculpidas nos lúgubres acentos esquizofrênicos do dualismo maniqueísta, que afeta os cérebros álgidos das religiões ocidentais, que apontam o que "é" e o que "não é" tão arrogantemente quanto assaz longe da propalada humildade. Loquaz se faz o meta-discurso de acinte ao intolerável pelos inaceitantes espiritualizados de nível cinco. Felizes alguns acoimes interpostos quando se de\aclama um cartesianismo ferrenho e tristonho. Mas se esquecem mal. Pois que Apolo não nega Dionísio! E como perguntar a Dozgchen onde está seu fundamento, se o que há é sunyata ou kenon? Virulência continua sendo a marca dos tenazes pregadores. Diametralmente do outro lado, digo-me que não sei o que não é, na medida em que não posso saber o que é, recolhendo-me à minha insignificância. Se falo mesmo na insignificância, é porque também a insignificância é vazia e, de alguma forma, não sou insignificante. Frívolas ofensas espirituais são ridículas. Como bem poderia dizer o demolidor de morais: abomino! Solta, pois, teus cães famintos de latir. Em mim não econtrarão alimento. Se sou Logos, em que parte do meu corpo ele está? Soa, soa o sino da capela da matriz. Ecoa o bramido choroso do penitente. Exprobreis os seres indigestos que não se alinham à tua matiz eunuca, caduca e decrépita, rumo ao mais baixo calão da desmesurada indigna\idade sobre insígne desequilíbrio metafórico-causal. Apressa-te com tua caritas porque é tempo. É hora. A tempestade se anuncia. É chegado o Após Calypso!!!