Teu murmúrio será meu abrigo
Ouvirei teu movimento desesperado
Acalmar o silêncio que está comigo
E despertar o grito silenciado
Sentirei o cheiro do voraz castigo
Que fez o sangue sujo ser lavado
As águas do teu frio lamento
Escorrerão para o céu fechado
Abrirão sem usar argumento
As paredes que sobem ao teu lado
Queimarão toda a dor do pensamento
Que faz descer a lágrima do rosto angustiado
Vamos respirar a luz que cobre o futuro
E descobrir que o destino não está marcado
Vamos abrir as portas do escuro
E sentir o brilho ecoar por todo lado
Quebrar o teto do nosso casulo
E soltar o medo que está no peito cravado
(1991)
domingo, 1 de janeiro de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Não Há
E eu vou seguindo os meus pés
Por onde eu já não sei andar
Não dá para chorar a solidão
Quando se vive sozinho ao relento
Eu não aguento tanta luz ao meu redor
E o pior é que o tempo já passou
Lançou os sonhos no passado
Calados, sombrios, vãos
De vez em quando quase sempre fico só
Só apareço quando me convém
Não vem ninguém ao meu socorro
E se eu corro é pra não ser visto
Eu insisto: não estou aqui
Com os meus olhos não vejo
Além da minha consciência
E essa ausência é só uma luz que ainda não apagou
Levei um tempo pra entender
Que tender pra essa direção
É tão perigoso quanto inevitável
Não é amável o que ao destino ofereço
Desço à rua a passos lentos
Sonolentos são esses dias tristes
Mas existem as noites cheias de quebranto
Por isso eu canto tanto quanto posso viver
Pois que não há outro sentido
Então eu sigo, eu digo: ninguém fica aqui
Por onde eu já não sei andar
Não dá para chorar a solidão
Quando se vive sozinho ao relento
Eu não aguento tanta luz ao meu redor
E o pior é que o tempo já passou
Lançou os sonhos no passado
Calados, sombrios, vãos
De vez em quando quase sempre fico só
Só apareço quando me convém
Não vem ninguém ao meu socorro
E se eu corro é pra não ser visto
Eu insisto: não estou aqui
Com os meus olhos não vejo
Além da minha consciência
E essa ausência é só uma luz que ainda não apagou
Levei um tempo pra entender
Que tender pra essa direção
É tão perigoso quanto inevitável
Não é amável o que ao destino ofereço
Desço à rua a passos lentos
Sonolentos são esses dias tristes
Mas existem as noites cheias de quebranto
Por isso eu canto tanto quanto posso viver
Pois que não há outro sentido
Então eu sigo, eu digo: ninguém fica aqui
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Anoitecendo
A noite acorda sonolenta
Traz os olhos rasos d’água
Levanta triste e quente
Pronta pra chover
A menina apressa o passo
Outra vez quer tentar escapar
O incauto afrouxa sua gravata
Enquanto espera a sua vez
Perto dali, longe e indiferente
O senhor enxuga a testa
Está pesado e contente
Seu banquete ainda vai durar
Ninguém reclama das luzes ácidas
Que querem impedir a noite entrar
Ela se ergue e se estende
Abafando cores e lamentos
O profeta hasteia seu arpão
E o louco grita de terror
Calam solenes as ruas
O céu desaba a conta-gotas
Numa melodia suave e constante
Condoída e sorridente
As hostes de sedentos ululam
Trôpegos, amigáveis, virulentos
Ganidos e sussurros vagueiam
Pecados e mendigos despertam
A noite socorre e alenta
Quem já não tem inocência
Desnuda e santifica
Quem sobreviveu nos escombros
Suave e cortante
Sua pena é fatal
Traz os olhos rasos d’água
Levanta triste e quente
Pronta pra chover
A menina apressa o passo
Outra vez quer tentar escapar
O incauto afrouxa sua gravata
Enquanto espera a sua vez
Perto dali, longe e indiferente
O senhor enxuga a testa
Está pesado e contente
Seu banquete ainda vai durar
Ninguém reclama das luzes ácidas
Que querem impedir a noite entrar
Ela se ergue e se estende
Abafando cores e lamentos
O profeta hasteia seu arpão
E o louco grita de terror
Calam solenes as ruas
O céu desaba a conta-gotas
Numa melodia suave e constante
Condoída e sorridente
As hostes de sedentos ululam
Trôpegos, amigáveis, virulentos
Ganidos e sussurros vagueiam
Pecados e mendigos despertam
A noite socorre e alenta
Quem já não tem inocência
Desnuda e santifica
Quem sobreviveu nos escombros
Suave e cortante
Sua pena é fatal
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Olhos de Luz
E essa sua luz
Que me seduz
Que me conduz
Ao infinito
E seus lábios
Doces, tenros
Paraíso e pecado
Silenciam o passado
E seus olhos mais que estrelas
Inflamam com suas centelhas.
Que me seduz
Que me conduz
Ao infinito
E seus lábios
Doces, tenros
Paraíso e pecado
Silenciam o passado
E seus olhos mais que estrelas
Inflamam com suas centelhas.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Deixe
Deixe-me longe
Deixe-me aqui
Sigo a estrada esquecida
Não me procure no retrovisor
Não pergunte
Não ouça
Deixe-me tanto quanto for possível
Deixe-me só
Só o pó da estrada
E os ossos revirados pelo cão que vadia
Vá dias à frente
E não veja o tempo passar
Não espere remissão
Não existe perdão no esquecimento
Cimento sepulta meus passos
Não há pegadas
Não há sentido ou razão
Deixe-me fora
Dos espaços, dos compassos
Fora de questão
Os que estão à sombra
Podem fartar-se
Afastar-se da distância velada
Vela da proa sem vento
Vem tua brisa soprar anseios
Nos seios da calma morte.
Deixe-me aqui
Sigo a estrada esquecida
Não me procure no retrovisor
Não pergunte
Não ouça
Deixe-me tanto quanto for possível
Deixe-me só
Só o pó da estrada
E os ossos revirados pelo cão que vadia
Vá dias à frente
E não veja o tempo passar
Não espere remissão
Não existe perdão no esquecimento
Cimento sepulta meus passos
Não há pegadas
Não há sentido ou razão
Deixe-me fora
Dos espaços, dos compassos
Fora de questão
Os que estão à sombra
Podem fartar-se
Afastar-se da distância velada
Vela da proa sem vento
Vem tua brisa soprar anseios
Nos seios da calma morte.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Indo...
Mais um passo no abismo.
Não é o topo do penhasco.
É o lugar mais baixo.
É preciso galgá-lo novamente
Para do alto outra vez atirar-se.
Juntar os pedaços e seguir sem esperança.
Contar com o improvável sem esperá-lo.
Seguir fragmentado pra viver por inteiro.
Não subir o monte é morrer-se.
Não se jogar é tão ruim quanto esses versos.
Sem inspiração.
Prisão.
Condenar-se.
Não é o topo do penhasco.
É o lugar mais baixo.
É preciso galgá-lo novamente
Para do alto outra vez atirar-se.
Juntar os pedaços e seguir sem esperança.
Contar com o improvável sem esperá-lo.
Seguir fragmentado pra viver por inteiro.
Não subir o monte é morrer-se.
Não se jogar é tão ruim quanto esses versos.
Sem inspiração.
Prisão.
Condenar-se.
domingo, 26 de junho de 2011
Números
Há algum tempo recebi um e-mail assombrado com as datas que veríamos neste ano. 1/1/11, 11/1/11, 11/11/11 e 1/11/11. Eu ainda acrescentaria 20/11/2011. O espantado e-mail perguntava pela explicação dessa coisa apocalíptica. Eis minha resposta:
É fácil explicar. Nosso sistema numérico é o decimal, ou seja, utilizamos apenas DEZ caracteres para representar todos os números. Então, depois de algum tempo, na sucessão normal da combinação entre os caracteres haverá pares ordenados e combinações que nos farão lembrar números e coisas que já conhecemos. O mundo não vai acabar porque o odômetro do seu carro vai marcar 111111 quilômetros rodados. Você não é a besta-fera porque recebeu um número de inscrição ou na certidão de nascimento 666 ou 111111. Num país com quase duzentos milhões de habitantes, alguém vai receber uma numeração 66666. Também não se espante se esse for o milésimo centésimo décimo primeiro e-mail na sua caixa de entrada. Os números sempre se repetiram e assim continuarão. E as superstições baseadas nas conincidências numéricas também.
É fácil explicar. Nosso sistema numérico é o decimal, ou seja, utilizamos apenas DEZ caracteres para representar todos os números. Então, depois de algum tempo, na sucessão normal da combinação entre os caracteres haverá pares ordenados e combinações que nos farão lembrar números e coisas que já conhecemos. O mundo não vai acabar porque o odômetro do seu carro vai marcar 111111 quilômetros rodados. Você não é a besta-fera porque recebeu um número de inscrição ou na certidão de nascimento 666 ou 111111. Num país com quase duzentos milhões de habitantes, alguém vai receber uma numeração 66666. Também não se espante se esse for o milésimo centésimo décimo primeiro e-mail na sua caixa de entrada. Os números sempre se repetiram e assim continuarão. E as superstições baseadas nas conincidências numéricas também.
sábado, 4 de setembro de 2010
Dancing with Lady Death
I can see the valley
I can see the flowers
The wind blows the way
The clouds cover the towers
They dance happily
All together hold hands
Running and jumping lightly
As never seen the these lands
No more sorrow
No more pain
No more tomorrow
No more rain
And is so sublime
The whiteness of their faces
The dark brightness of their eyes
So much glory and grace
They go up the hill
To meet the great mother
She awaits with sweetness and thrill
All the answers she can offer
I can see the flowers
The wind blows the way
The clouds cover the towers
They dance happily
All together hold hands
Running and jumping lightly
As never seen the these lands
No more sorrow
No more pain
No more tomorrow
No more rain
And is so sublime
The whiteness of their faces
The dark brightness of their eyes
So much glory and grace
They go up the hill
To meet the great mother
She awaits with sweetness and thrill
All the answers she can offer
domingo, 15 de agosto de 2010
Por Baixo da Porta
De repente, um vento de esperança passa ao seu lado. Era o carteiro que lhe tinha deixado um envelope por baixo da porta. Apressou-se em abri-lo sem deixar de notar que não havia remetente. Àquela altura era possível haver alguém que lhe admirasse anonimamente? Era apenas um engano? Será que alguém já o bservava e estava apenas esperando o momento ideal pra se manifestar? Também já não é mais costume escrever cartas. Por que não um e-mail? O momento da entrega da carta teria sido calculado? Suas mãos tremiam enquanto tentava abrir o envelope com cuidado para não rasgar o conteúdo. Percebeu que havia um bom volume, pois o papel estava dobrado em algumas vezes. Seria um simples cuidado para que terceiros não pudessem ver o conteúdo? Ou realmente havia muita coisa escrita? Quem poderia ter tanto pra lhe dizer? Tantas e tantas vezes ele esperou um sorriso ou um simples aceno e só agora alguém lhe notara? Enquanto desdobrava o papel olhou de relance para o envelope agora jogado no chão e sentiu algo muito estranho. Parecia algum lampejo de felicidade por ter recebido a carta. Ao mesmo tempo estava decepcionado e até um pouco irritado por isso não ter acontecido antes. Por um instante pensou em não abrir e deixar tudo como estava. Valeria a pena arriscar uma surpresa daquelas? Talvez fosse melhor ignorar esse incidente e deixar tudo como estava nos planos. Mas as horas por que passava não lhe minimizaram a curiosidade e ele abriu o papel. Triste cena, pobre homem! A revelação da sua vida. O resumo da sua obra. O papel estava em branco! Não tinha mais perguntas. Tudo chegou a seu termo. O silêncio pálido daquele papel era a prova cabal de que viveu coerentemente com o seu destino e com seu espírito. Ao invés de qualquer outro sentimento, sentiu paz. A luz parecia ganhar intensidade e se espalhar por todo o ambiente e uma serenidade sem par lhe tomou por completo. Abriu um largo sorriso enquanto o vermelho que escorria do seu pulso engoliu a brancura e o papel repousou ao lado de sua mão aberta, de seu braço estendido.
sábado, 7 de agosto de 2010
Caminho
Não sei o que vejo
Sinto tanto desejo
Meu sonho não é mais o mesmo
Parei de andar a esmo
Sinto a luz que me acende
Ascende, afaga e entende
Suaves pétalas que abraçam
Aos poucos, nós desembaraçam
Extingue a dor que despedaça
Arranca de vez a mordaça
Paixão que embebe os sentidos
Norteia e deixa perdido
Luz áurea que entorpece
Aura que envolve e aquece.
Sinto tanto desejo
Meu sonho não é mais o mesmo
Parei de andar a esmo
Sinto a luz que me acende
Ascende, afaga e entende
Suaves pétalas que abraçam
Aos poucos, nós desembaraçam
Extingue a dor que despedaça
Arranca de vez a mordaça
Paixão que embebe os sentidos
Norteia e deixa perdido
Luz áurea que entorpece
Aura que envolve e aquece.
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