Há algum tempo recebi um e-mail assombrado com as datas que veríamos neste ano. 1/1/11, 11/1/11, 11/11/11 e 1/11/11. Eu ainda acrescentaria 20/11/2011. O espantado e-mail perguntava pela explicação dessa coisa apocalíptica. Eis minha resposta:
É fácil explicar. Nosso sistema numérico é o decimal, ou seja, utilizamos apenas DEZ caracteres para representar todos os números. Então, depois de algum tempo, na sucessão normal da combinação entre os caracteres haverá pares ordenados e combinações que nos farão lembrar números e coisas que já conhecemos. O mundo não vai acabar porque o odômetro do seu carro vai marcar 111111 quilômetros rodados. Você não é a besta-fera porque recebeu um número de inscrição ou na certidão de nascimento 666 ou 111111. Num país com quase duzentos milhões de habitantes, alguém vai receber uma numeração 66666. Também não se espante se esse for o milésimo centésimo décimo primeiro e-mail na sua caixa de entrada. Os números sempre se repetiram e assim continuarão. E as superstições baseadas nas conincidências numéricas também.
domingo, 26 de junho de 2011
sábado, 4 de setembro de 2010
Dancing with Lady Death
I can see the valley
I can see the flowers
The wind blows the way
The clouds cover the towers
They dance happily
All together hold hands
Running and jumping lightly
As never seen the these lands
No more sorrow
No more pain
No more tomorrow
No more rain
And is so sublime
The whiteness of their faces
The dark brightness of their eyes
So much glory and grace
They go up the hill
To meet the great mother
She awaits with sweetness and thrill
All the answers she can offer
I can see the flowers
The wind blows the way
The clouds cover the towers
They dance happily
All together hold hands
Running and jumping lightly
As never seen the these lands
No more sorrow
No more pain
No more tomorrow
No more rain
And is so sublime
The whiteness of their faces
The dark brightness of their eyes
So much glory and grace
They go up the hill
To meet the great mother
She awaits with sweetness and thrill
All the answers she can offer
domingo, 15 de agosto de 2010
Por Baixo da Porta
De repente, um vento de esperança passa ao seu lado. Era o carteiro que lhe tinha deixado um envelope por baixo da porta. Apressou-se em abri-lo sem deixar de notar que não havia remetente. Àquela altura era possível haver alguém que lhe admirasse anonimamente? Era apenas um engano? Será que alguém já o bservava e estava apenas esperando o momento ideal pra se manifestar? Também já não é mais costume escrever cartas. Por que não um e-mail? O momento da entrega da carta teria sido calculado? Suas mãos tremiam enquanto tentava abrir o envelope com cuidado para não rasgar o conteúdo. Percebeu que havia um bom volume, pois o papel estava dobrado em algumas vezes. Seria um simples cuidado para que terceiros não pudessem ver o conteúdo? Ou realmente havia muita coisa escrita? Quem poderia ter tanto pra lhe dizer? Tantas e tantas vezes ele esperou um sorriso ou um simples aceno e só agora alguém lhe notara? Enquanto desdobrava o papel olhou de relance para o envelope agora jogado no chão e sentiu algo muito estranho. Parecia algum lampejo de felicidade por ter recebido a carta. Ao mesmo tempo estava decepcionado e até um pouco irritado por isso não ter acontecido antes. Por um instante pensou em não abrir e deixar tudo como estava. Valeria a pena arriscar uma surpresa daquelas? Talvez fosse melhor ignorar esse incidente e deixar tudo como estava nos planos. Mas as horas por que passava não lhe minimizaram a curiosidade e ele abriu o papel. Triste cena, pobre homem! A revelação da sua vida. O resumo da sua obra. O papel estava em branco! Não tinha mais perguntas. Tudo chegou a seu termo. O silêncio pálido daquele papel era a prova cabal de que viveu coerentemente com o seu destino e com seu espírito. Ao invés de qualquer outro sentimento, sentiu paz. A luz parecia ganhar intensidade e se espalhar por todo o ambiente e uma serenidade sem par lhe tomou por completo. Abriu um largo sorriso enquanto o vermelho que escorria do seu pulso engoliu a brancura e o papel repousou ao lado de sua mão aberta, de seu braço estendido.
sábado, 7 de agosto de 2010
Caminho
Não sei o que vejo
Sinto tanto desejo
Meu sonho não é mais o mesmo
Parei de andar a esmo
Sinto a luz que me acende
Ascende, afaga e entende
Suaves pétalas que abraçam
Aos poucos, nós desembaraçam
Extingue a dor que despedaça
Arranca de vez a mordaça
Paixão que embebe os sentidos
Norteia e deixa perdido
Luz áurea que entorpece
Aura que envolve e aquece.
Sinto tanto desejo
Meu sonho não é mais o mesmo
Parei de andar a esmo
Sinto a luz que me acende
Ascende, afaga e entende
Suaves pétalas que abraçam
Aos poucos, nós desembaraçam
Extingue a dor que despedaça
Arranca de vez a mordaça
Paixão que embebe os sentidos
Norteia e deixa perdido
Luz áurea que entorpece
Aura que envolve e aquece.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Insana Lucidez
Lucidez demais é loucura. Impossível suportar por muito tempo. Mais uma vez estamos em torno de ciclos, círculos. As extremidades se tocam, não se sabe exatamente onde. O pêndulo não balança, apenas gira completamente. O que é a super-visão, a total compreensão, além de uma grave patologia? Tudo suficientemente claro afeta a visão tanto quanto a escuridão. O que é mais óbvio, mais evidente, mais incontestável, pode ser simplesmente o mais absurdo, inconcebível, tolo, ilusório. Subir um pouco mais ao cimo do monte, sair brevemente da caverna de Platão é como uma insônia. É como estar acordado duas vezes. Isso deslumbra ao mesmo tempo em que dói e angustia. Corta o peito e rasga a alma de cima a baixo, como num golpe se rasga o véu do templo. Quanto mais alto se sobe, mais se quer atirar lá de cima. Quanto mais claro se vê, mais se quer mergulhar na mais profunda e eterna escuridão. Contraditoriamente, o desejo impele para o alto, para a luz. E esse desejo move o mundo. Viver é estar doente buscando uma cura que se sabe, muitas vezes, que não será encontrada. Subir a colina, acender a tocha, seguir a luz, não é buscar a imortalidade, não é fugir da morte. Viver é caminhar em direção ao abismo. Lucidez é saber que ao chegar lá teremos que pular. E quanto mais se tentar evitar o salto, mais decrépitos ficamos para amenizar o impacto. Quanto mais cedo, menor a dor. Nunca se deve adiar, quando muito, antecipar. Mas calma lá! Antes que me apedrejem ou me queiram crucificar. Não sou eu o portador desse super-poder-patologia-desvio! Não me dou esse direito-dever. Minha missão aqui é apenas divulgar/divagar devagar/devanear, além, é claro, de continuar em direção ao meu próprio abismo (sabendo ou não onde ele está).
sábado, 5 de dezembro de 2009
Vá!
Vá em frente, faça
Faça agora, não depois
Amanhã o porvir
Pode não vir
Seja mesquinho, egoísta
Mas seja inteiro
Não viva pela metade
Pois a morte é completa
Cometa os mesmos erros
Peque e pague
Não corrija os tolos
Pois loucos são loucos
Beba e cuspa paixão
Escarneie com amor
Às favas as mágoas
Aos porcos as virtudes
Rasgue suas chances
Coma os pedaços
Fuja, negue, consinta
Renda-se à sua fraqueza
Faça agora, não depois
Amanhã o porvir
Pode não vir
Seja mesquinho, egoísta
Mas seja inteiro
Não viva pela metade
Pois a morte é completa
Cometa os mesmos erros
Peque e pague
Não corrija os tolos
Pois loucos são loucos
Beba e cuspa paixão
Escarneie com amor
Às favas as mágoas
Aos porcos as virtudes
Rasgue suas chances
Coma os pedaços
Fuja, negue, consinta
Renda-se à sua fraqueza
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Explodindo
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Não sei o que é paz
Eu sou o filho do fogo
Nasço e queimo até morrer
E acendo-me de novo
Morrendo todo dia
Renascendo no escuro
Indo e voltando no tempo
O meu passado é futuro
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Agora eu posso voar
Depois sou cinza no chão
Em mil pedaços em vou
Juntar os cacos então
Nascendo dos escombros
Não sou o mesmo, eu sei
Sou todo e parte do todo
Metade do que serei
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Não sei o que é paz
Eu sou o filho do fogo
Nasço e queimo até morrer
E acendo-me de novo
Morrendo todo dia
Renascendo no escuro
Indo e voltando no tempo
O meu passado é futuro
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
Agora eu posso voar
Depois sou cinza no chão
Em mil pedaços em vou
Juntar os cacos então
Nascendo dos escombros
Não sou o mesmo, eu sei
Sou todo e parte do todo
Metade do que serei
Sou a bala no revólver
Esperando o gatilho
E estou pronto pra explodir
E estou pronto pra voar
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Fim de Domingo
Meus passos marcados, meus traços riscados
Não são apagados pelo sutil farfalhar das folhas ao vento.
Mas minhas certezas são pulverizadas
Por teu breve e suave alento.
Não são apagados pelo sutil farfalhar das folhas ao vento.
Mas minhas certezas são pulverizadas
Por teu breve e suave alento.
(Esses versos saíram de improviso e não foram anotados por mim. Mas como foram resgatados de forma singular e inesperada resolvi derramá-los aqui, como forma de agradecer a quem os salvou.)
domingo, 22 de novembro de 2009
Eu Não Sou
Eu não sou
Eu já fui
Inda vou
Estou aqui no ocaso
Com a certeza do atraso
Agora sei
Passei e ainda passo
Vou, vôo, vejo e disfarço
Em cores e rubores evidentes
Momentos em que compondo desfaço
Estou pleno, certo e excesso
Do mais profundo e extenso nada
Estou só
Estou solidão
Completo, vazio e vão
Agora sei
Sei que não vivo
Sei que não morro
Sei que não tenho nenhuma essência
Flatando razão
Cuspindo demência
Suado e ofegante desfecho alegrias
Escarneço da existência
Agora sei
Sentimentos opulentos
Transbordantes
Paixão, coração, razão, afeição
Ilusões
Mergulho, afundo, afogo
Respiro
Nego, controlo, desvio
Há tanta dor
Desvario
Agora sim
Abro os braços ao infinito
Quero ver o final
Permito
Frugores, amores, temores
Despejo, descrevo
Listo substantivos
Adjetivos são fúteis
Conexões, sentidos
Inúteis
Não sou
Onde passo
Onde penso
Não me convenço
Agora não
Eu sei
Eu não sinto
Mas não minto
Mesmo que faça doer
Sigo
Não estou nas palavras que digo
Não sou os versos que escrevo
Não sou o meu canto
Mas estou cantar ao cantar
Deus mendigo
Agora sei
Eu não sei
Eu não sou
Simplesmente vou
Eu já fui
Inda vou
Estou aqui no ocaso
Com a certeza do atraso
Agora sei
Passei e ainda passo
Vou, vôo, vejo e disfarço
Em cores e rubores evidentes
Momentos em que compondo desfaço
Estou pleno, certo e excesso
Do mais profundo e extenso nada
Estou só
Estou solidão
Completo, vazio e vão
Agora sei
Sei que não vivo
Sei que não morro
Sei que não tenho nenhuma essência
Flatando razão
Cuspindo demência
Suado e ofegante desfecho alegrias
Escarneço da existência
Agora sei
Sentimentos opulentos
Transbordantes
Paixão, coração, razão, afeição
Ilusões
Mergulho, afundo, afogo
Respiro
Nego, controlo, desvio
Há tanta dor
Desvario
Agora sim
Abro os braços ao infinito
Quero ver o final
Permito
Frugores, amores, temores
Despejo, descrevo
Listo substantivos
Adjetivos são fúteis
Conexões, sentidos
Inúteis
Não sou
Onde passo
Onde penso
Não me convenço
Agora não
Eu sei
Eu não sinto
Mas não minto
Mesmo que faça doer
Sigo
Não estou nas palavras que digo
Não sou os versos que escrevo
Não sou o meu canto
Mas estou cantar ao cantar
Deus mendigo
Agora sei
Eu não sei
Eu não sou
Simplesmente vou
sábado, 14 de novembro de 2009
Minha Fonte-Jazigo
A fonte me mostra agora
O doce olhar do seu remanso
Nos seus braços estendidos descanso
Sua alma a minha revigora
Despejo sobre ela meu canto
Encho o peito e inflado suspiro
E se palavras de amor sugiro
Ela transforma dor em acalanto
Transformado em senhor e escravo
Desmancho-me na brisa calma
E se ela acende minha alma
Minha pele em seus prantos lavo
Suave jardim frio e sombrio
Com todas as cores ao vento
Vibrante em seu desalento
Não se me dá calafrio
Não me deixa arredio partir
Não me quer longe, não me quer distante
E me atrai e aprisiona a cada instante
Mas eu também já não quero ir
Meu amor e meu ódio são seus
Minha vida assim tem sentido
Acabaram os caminhos e não estou perdido
Sua língua e seus lábios são meus
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